Pêras

Em meio a uma colheita
Plantação qualquer
Caiu uma pêra
Bem madura

Esfolou a tênue pele
Vi ao olhar para baixo
Desci a escada
Bem Perplexo

Então me abaixei para
Pegá-la e assim
Vi suas sementes
Bem Expostas

Úmidas e mais viscosas
Embebidas em mel
Fragilizadas
E sensíveis

Olhei a volta e não vi
O Pé de Pereira
De nenhum fruto
E de nada

A pêra em minhas mãos
E nada havia a volta
De onde veio?
Para quê?

E suas mil sementes
Começaram a brotar
Em meio ao pasto
Minha mão

Os brotos exasperaram
Uma cor tênue verde
Pequenas folhas
Fina seda

Exalou um odor
Pálido de novo,
De virgem plástico
E pomposo

Lembranças que vieram
Da complexidade
Vida que surge
De um nada
Qualquer